Economia

PIB PÓS-LULA DESABA
32% NO GRANDE ABC

  DANIEL LIMA - 12/03/2026

Depois dessa manchetíssima aí em cima, e esquecendo tudo que já escrevi sobre o assunto, vou jogar a diplomacia no lixo e dizer com todas as letras e sentidos: senhores prefeitos, senhores vereadores, senhores deputados, senhores agentes privados, senhores e senhoras, tomem vergonha na cara. Coloquem a Economia do Grande ABC no topo de preocupações e ações. O resto é consequência do que temos para lamentar.

Outros jornalistas da região deveriam fazer o mesmo que faço: não dar trégua a essa turma de insensíveis. Ou alguém tem coragem de contrapor-se ao que significa a catástrofe dos últimos 12 anos analisados neste artigo?

Em termos financeiros, senhores leitores, o buraco de 12 anos entre o fim do segundo mandato de Lula da Silva, os estragos implacáveis de seis anos de Dilma Rousseff, os dois anos suplementares de Michel Temer e os quatro anos de Jair Bolsonaro, a perda de 31,81% do PIB representa mais que uma São Bernardo de desaparecimento de produção de riqueza. Se o Grande ABC de 2022 fosse relativamente ao Brasil o Grande ABC de 2010, não teríamos perdido nadinha do PIB, Produto Interno Bruto. Esse é o ponto-chave.

Estão o leitores entendendo alguma das muitas razões que tenho para afirmar e reafirmar que o Clube dos Prefeitos, o Clube Econômico, o Clube Sindical e o Clube Social (ainda há ser defenestrado) formam um quarteto de inutilidades?

PERDENDO DEMAIS

Perder faz parte do jogo, porque a economia é dinâmica, mas perder de goleada e trombetear, como os prefeitos não cansam de trombetear, que somos uma maravilha da natureza, aí já é demais. E sempre com aplausos da mídia adocicada.

O Grande ABC é um convite à desistência. O bom-senso e a responsabilidade social foram nocauteados antes mesmo desse período de 12 anos, mas nesse período de 12 anos a coisa ficou ainda muito pior. Vivemos uma ilusão com  os oito anos de Lula da Silva que, como se sabe, inflou os gastos do Estado ao aproveitar até a última semente a loucura consumista de comodities dos asiáticos,  principalmente os chineses.

Essa nova análise sobre o PIB do Grande ABC se reveste de ineditismo, porque apanhei todo o período pós-Lula da Silva, que encerrou o segundo mandato em 2010, e cheguei a 2022, no último ano do mandato de Jair Bolsonaro. Desconsiderei o PIB de 2023, que o IBGE já anunciou, exatamente para fechar o ciclo precedente ao terceiro mandato de Lula da Silva.

De antemão, Lula da Silva jamais repetirá o desempenho dos dois primeiros mandatos. O Brasil é outro, muito mais perdulário e incompetente. Mas mesmo assim é muito melhor, nesse corte cronológico, que o Grande ABC festejado pelos marqueteiros e seus políticos de proteção.

MELHOR MÉTRICA

O cálculo da perda do Grande ABC no Produto Interno Bruto tem metodologia. Trata-se de métrica que é a mais ajuizada para definir num contexto no mínimo nacional como anda a marcha da contagem da produção de riqueza de uma sociedade. É disso que se trata o PIB, o pior indicador econômico, exceto todos os demais.

Quando Lula da Silva deixou a presidência da República em 2010, oito anos depois dos destroços de Fernando Henrique Cardoso na região, a participação relativa do PIB do Grande ABC no PIB Nacional era de 2,474%. Ou seja: de cada R$ 100, 00 de geração de riqueza em forma de produtos e serviços, que incorporam variáveis como massa salarial, o Grande ABC participava com R$ 2,474. Em 2022, quando Jair Bolsonaro deixou a presidência, a participação relativa registrava 1,687%.

Os apressadinhos poderão atribuir a Bolsonaro o buraco imenso na riqueza regional. Nada mais precipitado. Os seis anos  de Dilma Rousseff, depois de pegar o trem-bala de Lula da Silva, foram terríveis. A participação relativa do Grande ABC na riqueza nacional caiu de 2,474 para 1,790% com Dilma Rousseff. Michel Temer e Bolsonaro não conseguiram zerar o salgadíssimo déficit de Dilma Rousseff, mas evitaram o agravamento. Com Coronavírus e tudo.

BURACO ENORME

Se o Grande ABC deixado em 2010 por Lula da Silva fosse o Grande ABC de 2022 deixado por Jair Bolsonaro, o PIB teria alcançado o valor de R$ 249.371.441 bilhões. Trocando em miúdos: seria 2,474% do PIB Nacional de R$ 10.079.676.378 bilhões. Entretanto, só registrou R$ 170.121.471 bilhões.

Façam uma nova conta, levando-se em conta que o PIB do Grande ABC de 2022 registrou o valor de R$ 170.121.471 bilhões: dá uma diferença de R$ 79.249.970 bilhões. Avançando na contagem, isso significa perda de 31,82% no período. Arredondei na manchetíssima para 32% porque o resultado está mais próximo disso do que de 31%.

Vamos mostrar qual foi o comportamento de cada Município do Grande ABC no período? Faço essa conta enquanto digito este texto. Vou pela ordem alfabética do Grande ABC, que, não necessariamente, é a ordem econômica.

 Santo André contava com PIB nominal (sem considerar a inflação) de R$ 19.164.510 bilhões em 2010 e passou para R$ 36.470.029 bilhões em 2022. A participação relativa no PIB Nacional (R$ 3.885.849,000 bilhões) caiu de 0,4932% para 0,3618. O PIB de 2022 deveria ter alcançado R$ R$ 49.712.963 bilhões. Uma diferença negativa de R$ 13.242.934 bilhões. Metade do PIB de 2022 de Diadema.

 São Bernardo contava com PIB nominal de R$ 42.557.432 bilhões em 2010 e passou para também nominais R$ 65.652,.404 bilhões em 2022. A participação relativa no PIB Nacional caiu de 1,095% para 0,6513%. O PIB de 2022 deveria ter alcançado R$ 110.392.616 bilhões. Uma diferença negativa de R$ 44.740.212 bilhões. Ou a soma de 2022 de Diadema e Mauá.

 São Caetano contava com PIB nominal de R$ 12.205.134 bilhões em 2010 e passou para R$ 18.128.059 bilhões em 2022. A participação relativa no PIB Nacional caiu de 0,3141% para 0,1798%. O PIB deveria ter registrado R$ 31.660.223 bilhões. Uma diferença negativa de R$ 13.532.164 bilhões. Ou metade do PIB de 2022 de Mauá.  

 Diadema contava com PIB nominal de R$ 10.699.784 bilhões em 2010 e passou para R$ 20.056.680 bilhões em 2022. A participação relativa no PIB Nacional caiu de 0,2746% em 2010 para 0,1989%. O PIB deveria ter registrado R$ 27.679.031 bilhões em 2022. Uma diferença de R$ 7.622.351 bilhões. Mais que o PIB de Ribeirão Pires e Rio Granda da Serra somados.

 Mauá contava com PIB nominal de R$ 9.323.424 bilhões em 2010 e passou para R$ 24.111.461 bilhões em 2022. A participação relativa no PIB Nacional caiu de 0,2399% em 2010 para 0,2392.24. O PIB deveria ter registrado R$ 24.181.143 bilhões. Uma diferença negativa de apenas R$ 69,681 milhões. O Polo Petroquímico salva Mauá.

 Ribeirão Pires contava com PIB nominal de R$ 1.803.800 bilhão  em 2010 e passou para R$ R$ 4.665.686 bilhões em 2022. A participação relativa no PIB Nacional caiu levemente de 0,0464% em 2010 para 0,0462%. O PIB deveria ter registrado R$ 2.620.715 bilhões. Praticamente não houve diferença monetária. 

 Rio Grande da Serra contava com PIB nominal de R$ R$ 384.515 milhões em 2010 e passou para R$ 1.037.153  bilhão em 2022. A participação relativa no PIB Nacional é inexpressiva. 0,0009% em 2010 e passou para 0,0010% em 2022.

OUTRA MÉTRICA

Uma outra métrica que pode ser observada  mas que não tem a mesma dimensão socioeconômica ameniza mas está longe de eliminar qualquer preocupação com o presente do Grande ABC. É o caso de avaliar o PIB com base exclusivamente nos resultados da região,  confrontando-os com os resultados da região.

É de fato a prática mais comum, mas distante do domínio do quadro geral, seja para cidades, regiões e Estados Nacionais. Algo como comparar o PIB anual do Brasil como o PIB anual do Brasil, desconsiderando-se o resto do mundo, ou países específicos para efeitos comparativos.

Nesse caso em que se desconsidera o ambiente nacional de confronto e o PIB do Grande ABC do período de 12 anos enfrenta o PIB do Grande ABC e mais nenhuma outra localidade, o comportamento também foi negativo, mas não tão grave. A queda entre 2011 e 2022 registrou acumulado de 14,48%, ou média anual de 1,206%. Ou seja: o Grande ABC manteve, com outros números, resultado negativo.

Bem diferente da média brasileira que registrou o acumulado de 28,04% de crescimento, média anual de 2,336%. Os resultados foram deflacionados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ainda falta cuidar do PIB do Grande ABC por habitante. Essa é a melhor métrica mesmo, mas num confronto também com a média nacional. É provável que a perda do PIB per capita seja maior ainda. Estamos no bico do corvo econômico.

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