PREFEITO ECONÔMICO
OU PREFEITO SOCIAL?
Vamos esquecer a regionalidade nesta edição. Embora regionalidade seja o ar editorial irreversível que explicitamos a cada jornada. Vamos, portanto, tentar tratar exclusivamente de municipalismo. Vamos tratar de prefeito municipal. Nada de prefeito regional, que é um complicador exacerbado em qualquer tipo de análise.
Caso fosse prefeito de qualquer cidade importante do Grande ABC, algo que jamais sonhei em toda a minha vida porque, entre outras razões, o jornalismo me consome completamente como propósito de vida, caso fosse prefeito, repito, não teria dúvida em procurar ajustar e azeitar a engrenagem econômica e a engrenagem social a cada dia de trabalho intenso.
Em suma, seria um prefeito dupla face, coração e alma. Prefeito Econômico é uma senhora roubada, levando-se em conta passivos que encontraria como encontraram os atuais prefeitos. Prefeito Social seria uma extensão mais caprichada do legado que prefeitos antecessores deixaram.
DICOTOMIA HISTÓRICA
Antes de prosseguir, abro um parênteses: vou escrever amanhã uma análise que vai mostrar o quanto o conjunto dos municípios do Grande ABC perdeu num determinado período, que começa no fundo do poço e do fundo do poço saiu para o fundo do poço ainda mais profundo. Os dados vão reforçar o enunciado de que Prefeito Econômico sofre um bocado na região e por isso mesmo é frouxamente encontrado.
Está certo que já escrevi centenas de análises sobre isso, mas o texto de amanhã faz uma abordagem que corrobora os problemas que os atuais prefeitos vão enfrentar ou estão enfrentando para alcançar resultados minimamente semelhantes no campo econômico ao que registram no campo social. Nada surpreendente essa dicotomia. O empobrecimento da população determina atenção especial no campo social.
Sugiro aos prefeitos atuais que pensem na dureza do prélio que já estão enfrentando e que enfrentarão no mínimo nos próximos longos mas não tão longos meses que completarão os respectivos mandatos.
DEMANDAS AGRESSIVAS
Que sugestão daria aos comandantes dos paços municipais? Seja Prefeito Social mas não esqueça de ser também Prefeito Econômico. Essa é a ordem natural e impositiva do grau de importância que todos os sete prefeitos estabeleceriam para a jornada de quatro anos. As demandas sociais são agressivamente intensas, mas questões econômicas devem seguir arquitetura do caos, ou seja, de emergencialidade. A disputa é cruelmente desigual. A lebre de buracos sociais está muito à frente do cágado de reação econômica que nunca chega.
Consagrar-se como Prefeito Social, mesmo com a variante detestável de Prefeito Assistencialista, é uma fórmula mágica de ganhar eleições municipais, mas o contraponto que ouso fazer é simples: qual será o legado que as gerações futuras acalentarão como agradecimento às operações diretamente vinculadas aos mais necessitados?
Escrevi ainda outra dia que o Grande ABC é um celeiro de prefeitos que levaram a cabo a formatação de macro laboratório de cases sociais. São políticas públicas que minimizam as dificuldades de vida de muita gente, principalmente dos pobres e miseráveis, quando não também da classe média vulnerável, ou seja, de moradores que seguem com um pé nas cova da pobreza imaginando que podem alcançar o andar de cima da classe média tradicional.
MISSÃO EXTENUANTE
Essa missão extenuante de socorro com políticas sensíveis aos mais carentes, principalmente, está sendo aperfeiçoada pelos atuais prefeitos. As demandas dessas amplas faixas socioeconômicas da população são crescentes e dramáticas. A metrópole ensandecida da qual fazemos parte com 15% da população de 22 milhões de habitantes é nosso universo real. As divisões cartográficas de 39 municípios não seguram a barra isoladamente. Portanto, nossas inquietações e fissuras só são crescentes porque são compulsórias diante do esquartejamento regional.
Existe uma correlação disforme entre o social e o econômico do Grande ABC, como também na metrópole. O Prefeito Social encontra uma avalanche de desafios e os enfrenta com o lançamento, operação e monitoramento de programas inovadores ou desbravadores. Mas Prefeito Econômico sente se não chegou ao estágio de enxugar gelo, não está distante disso, diante da retração continuada do Desenvolvimento Econômico.
CORRIDA DESIGUAL
Fosse uma pista de automobilismo com esses dois competidores, o veículo social do Grande ABC estaria a 200 quilômetros por hora, enquanto o veículo econômico estaria rateando para sair do ponto morto. Essa equação não pode dar certo porque o regulamento civilizatório desenvolvimentista no sentido de qualidade de vida prevê equilíbrio entre uma coisa e outra coisa.
O que sobra de combustível ao Prefeito Social no sentido de arrumação possível da casa metralhada falta ao Prefeito Econômico às voltas principalmente com a macroeconomia e com mudanças múltiplas na plataforma de competitividade.
A contradição entre o Grande ABC de Prefeito Social e de Prefeito Econômico de fato e para valer é a lógica instaurada.. Afinal, nossa especialidade de Prefeito Social de primeira categoria é sabotada pelo passado de Prefeito Econômico de quinta categoria. Um presente de grego aos atuais comandantes dos paços municipais.
E retomando o fio da meada de explicação à regulação estratégica de Prefeito Social e Prefeito Econômico, não vejo outra saída, inclusive com base em experiência profissional: essa de divisibilidade com escapes naturais de compartilhamento deveria ser parte da politica de gestão.
SEM PROCRASTINAR
Se o Prefeito Social e o Prefeito Econômico ocuparem o mesmo compartimento de gestão, sem, portanto, a independência relativa de atuação, não haverá saída: todos vão repetir os anteriores e, ao fim, prevalecerá o Prefeito Social, sempre de maior apelo, imediatismo e reciprocidades políticas que o Prefeito Econômico, complicadíssimo num emaranhado de desafios que ultrapassam o meio de campo de autonomismo resolutivo. A compulsória sujeição às pautas estaduais e principalmente nacionais tornam a gestão municipal de Prefeito Econômico bem menos produtiva no curto prazo. O remelexo geral da política econômica nacional não é o salvo-conduto às agruras do Prefeito Econômico, como também estamos cansados de enfatizar. Mas pesa preponderantemente sobre a geografia local.
Por isso, os cuidados em busca de terapias e intervenções cirúrgicas não podem ser procrastinados. Mais que isso: exatamente por conta de agressões externas à geografia do Prefeito Econômico, recomendam-se doses cavalares de organização e iniciativas na tentativa de mitigar os efeitos ressonantes.
REDAÇÃO DE JORNAL
Numa espécie de definição de prioridades para que o Prefeito Social entenda que o suprimento de intervenções é o crescimento econômico, contraditoriamente ou paradoxalmente, dependendo do ângulo, deveria se dar mais espaço e voltar os olhos mais incisivamente às atividades produtivas.
Vou tentar traduzir esse enunciado: se o Prefeito Social vai bem porque a agenda bastante conhecida e aplicada, por que não avançar com grupos de trabalho direcionados especialmente ao compartimento econômico?
Uma redação de jornal, apenas para dar um exemplo, é apenas aparentemente uma Torre de Babel. O que parece uma bagunça dividida em várias editorias temáticas é uma engrenagem de produção previamente estabelecida para atender consumidores de informação.
A primeira página de cada edição impressa, principalmente de edição impressas, é uma vitrina com os principais fatos. A manchetíssima, manchete das manchetes da primeira página, ou seja, a manchete principal, é pressupostamente o carro-chefe da edição. Prefeito Social significa que a manchete das manchetes da agenda de cada dia é tudo que se relaciona às ações de áreas de grandes demandas da população por serviços públicos de saúde, educação, mobilidade urbana, infraestrutura, essas coisas. Até aí, tudo bem, como já foi explicado.
POUCO DESTAQUE
O problema é que Prefeito Econômico é espaço de primeira página raramente destacado. Quero crer que a repetição do passado de editores (prefeitos) precisa ser interrompida e dar lugar a um desgaste nem sempre compensatório durante o mandato, mas que ajuda a fazer a diferença no futuro que sempre chega como presente.
Prefeito Social e Prefeito Econômico são inseparáveis, mas podem ser mais produtivos e conclusivos se tratados com proximamente de importância administrativa. No caso específico dos municípios do Grande ABC (como mostraremos mais uma vez, na edição de amanhã) Prefeito Econômico que lançar mão de força-tarefa tendo como referencial algo como desembarque da Covid-19, dará uma resposta histórica ao que parece incontornável. Ou seja, uma reação que reduzirá o ritmo de perdas cumulativas.
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