SANTO ANDRÉ TIRA
PELE DOS MORADORES
Vou dar sequência à análise-denúncia de que o Estado do Grande ABC é abusivo na relação com os contribuintes, conforme provas estatísticas oficiais dos últimos 20 anos. Agora pergunto: adivinhe qual entre os sete pedaços de uma regionalidade sem rumo lidera o Custo ABC?
Fizemos novos cálculos, agora utilizando o fator “per capita”, o mais refinado entre todos, e Santo André, para surpresa de ninguém, aparece disparadamente na ponta. Fazer marketing com dinheiro dos contribuintes é muito fácil. Santo André é uma combinação perfeita, senão maquiavélica, de empobrecimento social e Carga Tributária olímpica. Se você acha que estou exagerando, segue em frente.
O que apresentamos em seguida para assegurar que Santo André dos prefeitos João Avamileno, Aidan Ravin, Carlos Grana e Paulinho Serra se constituiu numa fábrica de tributos diretos e indiretos, fábrica no sentido de arrecadação, expressa em Receita Total, vai além desse mesmo indicador.
Fizemos um cruzamento reunindo não só valores correspondentes à Receita Total de 2004 em confronto com a Receita Total de 2024. Esticamos a corda no pescoço no contribuinte para que o contribuinte entenda que é um concursado ao título de indolência destruidora. Ou seria exagero lamentar que a banda de tributos e mais tributos atue à vontade, conforme os desígnios de prefeitos e mandachuvas de plantão, e todos continuem a fixar os olhos e meter os dedos nos celulares para ver apenas e exclusivamente como está a política nacional?
CORDA ESTICADA
A corda que esticamos leva à conclusão intocável de que o ranking regional de abuso contra contribuintes inclui a conexão da Receita Total com o PIB Tradicional, que é a soma de geração de riquezas em produtos e serviços. Ou seja: confrontamos o que pode ser traduzido sem risco como fator de Desenvolvimento Econômico, mesmo com as ressaltas especificadas na literatura econômica, com Receita Total, que é mais custo operacional do Estado.
Quando se cruzam dois indicadores da pesada, casos de Receita Total e PIB Tradicional, acondicionando tudo isso no fator por habitante, não há risco de distorção. As bases são sólidas. Mas não fogem da raia do que já foi analisado. Propositadamente, adiei o confronto por habitante, tratando-os nos limites quantitativos. Os números resultantes dessa operação são tão sólidos que não há como evitá-los. Tem-se, com o fator per capita, claramente mais precisão, mas o enredo é praticamente o mesmo. Trata-se, portanto, de extensão do que apresentamos na edição de ontem.
PIB Tradicional per capita é a divisão do volume de transformação de produtos e serviços pela população. Receita Total per capita segue a mesma trilha. Em 20 anos há alterações demográficas que precisam ser ajustadas para que tudo corra conforme pressupostos técnicos.
Economia não admite fantasias, embora não faltem agentes públicos na região (e também de fora da região) que adoram dourar a pílula de safadezas semânticas, quando não rigorosamente mentirosas. Mas eles são sempre pegos. Às vezes em flagrante inconfesso. Outras vezes, a termo, porque o tempo é implacável . Os prevaricadores sempre são desmascarados quanto novos dados estatísticos aparecem.
PEÇAS AJUSTADAS
Sei que os leitores estão ávidos por saber qual é a porção de Paulinho Serra nesse latifúndio de exageros tributários de Santo André. Um autoproclamado gestor público de qualidade, como enfatiza na campana precoce a deputado federal, precisa mostrar a que veio. Como Paulinho Serra se comportou nessa combinação de produção de riqueza e custos da máquina pública durante oito anos?
Vou deixar a resposta para outra edição. Assim como o farei, igualmente e em conjunto, com outros dois prefeitos da região que completaram em dezembro passado dois mandatos seguidos à frente de São Bernardo e de São Caetano, casos de Orlando Morando e José Auricchio Júnior. Como eles teriam se comportado individualmente nos dois quesitos e também em relação a Paulinho Serra? É o que veremos nos próximos dias.
Para calcular o vínculo entre Receita Total per capita e PIB Tradicional per capita, como o faremos em seguida, é preciso levar em conta um descasamento temporal por causa dos dados da Secretaria do Tesouro Nacional e do IBGE.
Enquanto o período de aferição da Receita Total de cada Município da região é uma estrada de 20 anos que começa em 2004 e termina em 2024, a detecção do PIB Tradicional per capita envolve o mesmo 2004 mas termina em 2021. Tudo porque o IBGE ainda não apurou o PIB dos Municípios Brasileiros de 2022, 2023 e 2024. Então, são 17 anos de resultados, sempre ponta a ponta.
ENDEREÇO PERVERSO
Santo André é o endereço regional mais perverso no tratamento aos contribuintes expresso no vetor de Receita Total . Houve aumento real, descontada a inflação, de 128,90% da carga tributária em 20 anos, com média anual de 6,44%. E nesse mesmo período, o PIB per capita de Santo André só cresceu 7,08%, que, dividido por 17 anos, não passa de 0,42% ano.
Não é preciso ser craque em matemática para chegar à conclusão que o custo tributário de 6,44% ao ano é asfixiante quando confrontado com o crescimento do PIB per capita de apenas 0,42%.
Fiquei em dúvida se o caso de São Caetano não seria mais grave ainda que o de Santo André. Afinal, São Caetano sofreu revés gigantesco com a queda de 42,38%% do PIB per capita em 20 anos, enquanto a Receita Total avançou no bolso dos contribuintes em 67,90%. Ou seja: a cidade mais socialmente arrumada da região caiu nas duas pontas. Perdeu um terço do PIB per capita e sofreu aumento per capita de quase 70% de carga tributária.
Cheguei à conclusão que o caso de Santo André é mais grave mesmo, independente de cálculos matemáticos. A realidade socioeconômica coloca os dois endereços em pontas distintas. Santo André tem apenas alguns nichos de classe média de São Caetano. E pensa que, por tê-los, é uma São Caetano. O Bairro Jardim barulhento que o diga.
Além de São Caetano, também São Bernardo perdeu no indicador de PIB per capita no período, mas de forma muito mais branda. Uma queda de 7,29%, que significa menos 0,43% por ano. A Receita Total avançou 45,88% no período, ou 2,29% em média a cada ano.
O PIB per capita de Diadema cresceu 9,96% no período, com média anual de 0, 58%, enquanto a Receita Total avançou sempre em valores reais, descontada a inflação, 84,58%, ou 4,23% ao ano. Mauá contou com avanço de 30,75% do PIB per capita e aumento da Receita Total de 103,18%, média anual de 5,16%. Acompanhem os números completos dos cinco municípios nos dois períodos:
Santo André contava com PIB per capita nominal de R$ 17.188 mil em 2004. Com o efeito inflacionário chegaria sem perda a R$ 43.850 mil em 2024. Mas alcançou R$ 46.957 mil, o que significa crescimento de 7,08%, ou 0,42% em média anual. Já em Receita Total per capita, Santo André registrou R$ 785,08 em 2004 e chegaria a R$ 2.323,76 em 2024. Mas registrou R$ 5.319,21, com crescimento de 128,90% no período, média anual de 6,44%.
São Bernardo contava com PIB per capita nominal de R$ 30.068 mil em 2004. Com o efeito inflacionário chegaria sem perda a R$ 76.709 mil em 2021. Mas alcançou R$ 71.496 mil, o que significa perda de 7,29% no período, com média anual de 0,43%. Já em Receita Total per capita, São Bernardo contava com R$ 1.755,99 mil em 2004. Em 2024, se chegasse a R$ 5.197,55 por habitante, não sofreria perda. Como alcançou R$ 7.582,24 mil, o aumento da Receita Total chegou a 45,88%, com média anual de 2,29%.
São Caetano contava com PIB per capita nominal de 57.491 mil em 2004. Com o efeito inflacionário, chegaria sem perda a R$ 146.671 mil em 2021. Mas alcançou apenas R$ 103.015 mil, o que significa perda de 42,38% no período, média anual de 2,49%. Em Receita Total, São Caetano registrou valor nominal de R$ 3.042,48 mil em 2004. Não sofreria perda alguma se em 2024 registrasse R$ 9.005,44 mil. Mas chegou a R$ 15.119,90 mil, com aumento real de 67,95%, ou 3,39% a cada ano em média.
Mauá contava com PIB per capita nominal de R$ 13.335 mil em 2004. Com o efeito inflacionário, chegaria sem perda a R$ 34.020 mil em 2021. Mas alcançou R$ 44.480 mil, com crescimento de 30,75% no período, ou 1,81 ao ano. Em Receita Total, Mauá registrou R$ 663.93 per capita em 2004 e não sofreria perda se alcançasse R$ 1.965,25 mil em 2021. Mas registrou R$ 3.952,94 mil, com crescimento de 101,14% no período, média anual de 5,16%.
Diadema contava com PIB per capita nominal de R$ 15.856 mil em 2004 e não sofreria perda se registrasse R$ 40.452 mil em 2021. Mas superou a meta e registrou R$ 44.480 mil, com crescimento de 9,96% no período, ou média anual de 0,58%. Em Receita Total, Diadema registrou R$ 871,80 em 2004 e passaria sem perda se alcançasse R$ 2.580,47% em 2024. Mas cresceu mais, registrando R$ 4.763,06 mil por habitante, com crescimento de 84,58%, média anual de 4,23%.
Leia mais matérias desta seção:
26/11/2025 CARGA TRIBUTÁRIA EXPLOSIVA E CRUEL
24/11/2025 DIADEMA É MESMO PIOR QUE SANTO ANDRÉ? (5)
20/11/2025 GRANDE CAMPINAS GOLEIA GRANDE ABC
19/11/2025 FICAREMOS SEM AS MONTADORAS?
17/11/2025 DIADEMA É MESMO PIOR QUE SANTO ANDRÉ (4)?
13/11/2025 DA RHODIA QUÍMICA AO CENTRO LOGíSTICO
12/11/2025 SANTO ANDRÉ É MESMO UM VEXAME ECONÔMICO
10/11/2025 DIADEMA É MESMO PIOR QUE SANTO ANDRÉ? (3)
05/11/2025 SETE SECRETÁRIOS DESAPARECIDOS
1980 matérias | página 1
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 198