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Administração Pública

DANIEL LIMA - 14/07/2026

Levar Santo André à Bolsa de Valores para modernizar todo o mobiliário urbano e sair com o sucesso garantido entre outras razões porque o vencedor do leilão foi um dos ramais do conglomerado da Organizações Globo coloca o prefeito Gilvan Ferreira em outro patamar neste século de gestões públicas de Santo André.

Essa não é uma leitura digna de figurar no manual de gataborralheirismo, do qual sou criador e combatente frustrado ao longo deste século. Há determinadas situações que até prova em contrário sugerem que há um rompimento com a mesmice de soluções no âmbito público e também privado. Sou dos tempos em que se importavam jornalistas da Capital com ares de superioridade que se frustravam na sequência dos acontecimentos. No mundo dos negócios com imbricamento do setor público como parceiro de jornada, todo cuidado é pouco. E a Eletromidia, do Grupo Globo, vem avançando no território nacional. Já coleciona uma dezena de municípios que lhe entregaram a identidade urbana no campo do mobiliário.

Estou irradiante de verdade porque já vinha numa toada de entregar a rapadura de esperança com os fracassos dos antecessores pós-Celso Daniel.

MARKETING COMEDIDO

O marketing da Administração utilizado por Gilvan Ferreira é de resultados que retiram Santo André de um roteiro velho de guerra em que prevalecia o populismo como fonte de inspiração e de consolidação de politicas públicas, várias das quais, a bem da verdade, em algum patamar de resultados interessantes, mas outros em vazios absolutos.

A reportagem do Diário do Grande ABC que reproduzo logo abaixo é a coroação de uma ação que deveria servir de pauta obrigatória a todos que amam o Grande ABC e que não se conformam com o gataborralheirismo empedernido que nos apequena a todos.

Ir à Bolsa de Valores e voltar com a sacola cheia de prestígio e também de dinheiro a ser investido ao longo dos anos que virão simbolizam uma operação emblemática do que Gilvan Ferreira está aprontando como prefeito de Santo André. Aprontando no bom sentido, claro.

CAÇA AOS INDICADORES 

Sem consultar arquivo nenhum, ou seja, de memória, lembro que Gilvan Ferreira montou espécie de força-tarefa em vários setores da Administração para monitorar todos os indicadores sociais, econômicos e fiscais dos municípios brasileiros que determinam ao longo da jornada o que o prefeito de plantão por quatro ou oito anos fez de fato em relação ao espólio que recebeu. Comparar Santo André do passado a Santo André do futuro que sempre chega é interessante, mas é melhor ainda ver como ficou a competição principalmente com municípios semelhantes.

E já no primeiro ano de Gilvan Ferreira apareceu a margarida de dados fiscais e contáveis que expõem o grau de transparência e efetividade do mandato. Gilvam Ferreira é um estrondo. Foram demolidas mais de 900 casas de um labirinto até então incontornável.

Gilvan Ferreira também deu um rabo-de-arraia no descrédito de alguns, no preconceito de outros, na indiferença de terceiros, e, longe de preocupações extremas com o calendário eleitoral ou com conchavos políticos, virou titular da área de Reforma Fiscal da Frente Nacional dos Prefeitos e Prefeitas, o Clube Nacional do setor. Não é preciso dizer que Gilvan Ferreira está construindo relações institucionais que podem e devem desdobrarem-se em vantagens relativas a Santo André.

SOMA DE TUDO

Também decidiu o prefeito Gilvan Ferreira, à parte todo o arcabouço político estruturado ao longo dos últimos anos em Santo André, sustentar o direito líquido e certo de moldar a gestão conforme seus princípios, valores e objetivos. Substituições no primeiro e no segundo escalão estão mexendo com guetos municipais. Não se fazem omeletes de transformações sem quebrar os ovos de resistências localizadas e potencialmente fragmentadoras do império do coletivismo com novos rumos e prumos.

Talvez a maior vitória até agora da gestão de Gilvan Ferreira seja exatamente a soma de tudo isso e de muito mais que vem apresentando há 19 meses como prefeito de uma cidade que dispensa adjetivações quando se trata de disritmia entre demandas sociais e capacidade financeira de respostas ajustadas à melhoria geral.

Gilvan Ferreira está enterrando com classe de um comandante centrado num projeto de governo a ideia geral de que seria apenas um tapa-buracos que passaria docilmente o bastão ao antecessor bom de voto, somente de voto. Gilvan Ferreira, com perdão do trocadilho infame, seria apenas um devoto do prefeito que o antecedeu. Essa cidadela imaginária de submissão está sendo explodida aos poucos.

CUSTO DO LIXO

Ainda é preciso escarafunchar mais a gestão de Gilvan Ferreira porque nem tudo que Gilvan Ferreira lidera tem gerado manchetes nas proporções e intensidade do prefeito anterior, um mestre em vender quinquilharias como riqueza a ser desfrutada pelas gerações futuras. 

Gilvan Ferreira avança aqui e ali com sabedoria. Ainda outro o Diário do Grande ABC fez reportagem mostrando que Gilvan Ferreira está prolongando a vida útil do aterro de lixo de Santo André, medida que vai significar entre outras positividades a equalização de custos financeiros e desassossego urbano.   

Esse conjunto já dimensionável de benefícios gerados pela Administração de Gilvan Ferreira significa um respaldo de confiança da sociedade na medida em que os formadores de opinião entenderem o significado de marketing como arcabouço de políticas públicas transversais e desaguadouro da melhoria de qualidade de vida em oposição ao marketing de foguetório de efeitos preponderantemente eleitorais.

Tanto é verdade que o próprio leilão na Bolsa de Valores foi explorado com comedimento, quando cabia perfeitamente um pouco mais de paetês de reforço da imagem do prefeito e brilhantina de comemorações. 

PRIMEIROS DEGRAUS

Não custa lembrar que Gilvan Ferreira está apenas percorrendo os primeiros degraus de uma escala que desafia a lei de gravidade de desafios que se acumularam ao longo deste século. São tantas as pontas soltas nesse emaranhando que possivelmente as demandas poderão deslocar determinadas caminhadas a estradas vicinais aparentemente descartáveis.

Mas nem sempre é isso que as pontas soltas são de fato. Ao agregar à Administração de Santo André o corolário de uma marca tão prestigiada quanto a do Grupo Globo, Gilvan Ferreira poderá enfrentar algum desdobramento do qual não seria conveniente minimizar importância, sem ferir as regras estabelecidas.

É possível, como ocorre em situações de ruptura do convencional, a existência de empresas de pequeno porte na área abrangida pelo contrato com a Eletromídia e que supostamente poderiam ser observadas com atenção e, quem sabe, adaptarem-se a nichos legais de mercado. Com essa perspectiva especulativa, caberia aos representantes desses negócios de comunicação contarem com organização coletiva e, principalmente, o suporte de entidades de classe. As forças econômicas de alta patente não costumam esperar a procissão para se juntarem aos fiéis. Essas organizações puxam a fila. Segue agora a reportagem publicada no Diário do Grande ABC: 

Eletromidia vence leilão para

modernizar mobiliário de Santo André 

A Eletromidia ganhou nesta terça-feira (7) o leilão aberto pela Prefeitura de Santo André para a administração do mobiliário urbano da cidade por 35 anos. A empresa de mídia eletrônica, que pertence ao grupo Globo, ofereceu R$ 18,5 milhões a título de outorga e vai investir R$ 264 milhões em equipamentos, especialmente na modernização dos pontos de ônibus. A disputa foi realizada na B3, a bolsa de valores de São Paulo, principal ambiente de negócios do Brasil. 

O prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania), com três fortes marteladas, sacramentou a concessão à iniciativa privada. A negociação é inédita no Grande ABC. “Quando decido vir à B3, mostro a transparência da gestão e dou segurança jurídica para o empreendedor”, pontuou o chefe do Executivo em entrevista ao Diário logo após o leilão.

O pregão, na região central da Capital, teve duas empresas participantes. A Eletromidia, vencedora do contrato de 35 anos, será responsável pela renovação e manutenção de abrigos em pontos de ônibus, os quais contarão com câmeras de monitoramento, sistema de alerta e outras soluções tecnológicas voltadas ao conceito de cidade inteligente.

Na abertura dos envelopes com as propostas iniciais, a Eletromidia ofereceu, a título de outorga, a quantia de R$ 2.188.889,91 – um ágio de 91,72% com relação ao valor mínimo proposto no leilão pela Prefeitura. A All Space, outra firma a participar do certame, ofertou R$ 15.641.729,72 para ficar com o negócio, variação superior ao preço inicial de 1.270%. 

Todavia, o processo de definição seguiu para os lances alternados e, neste modelo, a Eletromidia superou a concorrente ao oferecer o total de R$ 18,5 milhões – ágio de 1.250,35%, que fez a All Space declinar da oferta de novos valores, o que levou ao encerramento do leilão. Como previsto em edital, a cessionária, assim que finalizar os trâmites burocráticos para a assinatura do contrato, deverá depositar na conta da Prefeitura 20% do valor ofertado, ou seja, R$ 3,7 milhões. O saldo restante poderá ser diluído mensalmente ao longo dos próximos 35 anos.

RESPONSABILIDADE

A concessão prevê a instalação de novos abrigos, todos com espaço para cadeirantes, iluminação e infraestrutura elétrica. Além disso, os equipamentos inteligentes permitirão o contato por videochamada com a central de atendimento da Prefeitura em situações de emergência. 

Ao todo, serão 834 novos abrigos, além da manutenção das 79 estruturas já existentes. A empresa ficará responsável pela implementação do sistema de monitoramento e alerta integrado aos abrigos inteligentes com câmeras de vigilância. “Vamos ter a possibilidade de levar o ‘Abrigo Amigo’ para Santo André, que é o sistema que faz companhia para as mulheres. Oitenta e cinco por cento delas que sofrem algum tipo de assédio estão sozinhas esperando o ônibus”, pontuou o diretor-presidente da Eletromidia, Alexandre Guerrero. 

A empresa também vai instalar relógios digitais em pontos estratégicos da cidade, para informar as horas, a qualidade do ar e outras informações. As intervenções devem começar em três meses. “É um novo conceito de mobiliário urbano, integrado, inteligente e conectado”, disse Gilvan. 

Como contrapartida à outorga e ao investimento, a Eletromidia poderá comercializar espaços para publicidade. A Prefeitura terá direito a uma cota para comunicação de interesse público, a exemplo de campanhas de vacinação. 

Após a inédita proposta de conceder à iniciativa privada o mobiliário de Santo André por meio de leilão na Bolsa de Valores de São Paulo, o prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania) admite adotar o modelo em futuros certames. 

“Esse é o início de um grande projeto de estruturação de cidade. O poder público municipal tem que focar no orçamento e no investimento naquilo que é necessário. Então, com certeza, a equipe de governo já está estruturando outras concessões e outras parcerias público-privadas, para, em breve, voltar aqui e fazer novos leilões”, declarou o chefe do Executivo.

Gilvan, após afirmar que estudos estão em andamento, adiantou, ao ser questionado pelo Diário, em coletiva de imprensa nesta terça-feira pela manhã na B3, na região central da Capital, quais áreas devem adotar o mesmo modelo de concessão. “Estamos estruturando o conceito de cidades inteligentes na segurança e também na saúde. Há um estudo prévio para avaliar os próprios públicos”, declarou o prefeito, que estava acompanhado da primeira-dama, Jéssica Roberta, secretários e vereadores. 

Com a concessão, a Prefeitura deixa de usar recursos municipais para manutenção e operação e ainda reforça o caixa para investir em outros setores.



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