Exatamente 16 meses depois de assumir a Prefeitura de Santo André, a terceira pesquisa do Instituto Paraná que mede a temperatura sensorial da gestão de Gilvan Ferreira consolida indicadores que o colocam em igualdade de condições com o estoque final dos oito anos de dois mandatos do antecessor Paulinho Serra. Uma Aprovação de 74,6% não é pouca Aprovação, embora Aprovação seja uma parcela do todo de uma Administração.
Talvez seja necessário esmiuçar a liberdade que me compete à explicação do que significa Aprovação sensorial do eleitorado, porque, nesse caso, a pesquisa do Instituto Paraná é isso mesmo – e em outras situações também.
Quando o eleitor é instado numa pesquisa a registrar seu ponto de vista sobre, como é o caso, a atuação de uma administração municipal, é evidente que, fora os indecisos ou ignorantes, manifesta-se subjetivamente uma montanha de ingredientes ou, contrariamente a isso, uma determinada questão que pesa sobremaneira no veredito final.
CONSTRUÇÃO DE IMAGEM
A composição de imagem de um político em pleno mandato executivo é estruturalmente complexa. Por isso, chegar aonde chegou Gilvan Ferreira tem evidente padrão de memória administrativa, como ex-secretário de várias pastas em Santo André, mas, provavelmente também, vetores próprios que brotam da personalidade pessoal aplicada na condição de prefeito. O tempo provavelmente vai dizer o que Gilvan Ferreira carrega de virtudes e pecados que o diferenciariam do antecessor. Esse balanço é compulsório para os eleitores.
Isto posto, afinal de contas, como deve ser a leitura da pesquisa publicada na semana passada do Diário do Grande ABC? Esperei um tempinho para decantar os dados e cheguei há muitas conclusões. A principal é que Gilvan Ferreira já está preliminarmente consolidado como prefeito bom de voto, como Paulinho Serra o foi. Agora só falta – e há tempo suficiente para isso – que acumule o sucesso de público e bilheteira com o título de prefeito bom de voto e também bom de governo. Paulinho Serra e antecessores depois de Celso Daniel jamais o foram.
Mais um pouquinho e os leitores vão conhecer ou reconhecer os dados que dão sustentação à conclusão de que Gilvan Ferreira tem tudo mesmo para se consolidar como bom de voto, condição que somente Paulinho Serra alcançou em Santo André desde a morte de Celso Daniel. Uma proeza e tanto, há de se reconhecer, mas uma proeza fortemente carregada pelo populismo sem compromisso com o dia seguinte – ao da sucessão. Como cansamos de provar com dados técnicos de ranqueamentos intocáveis.
Por enquanto, vamos fazer o que chamaria de detalhamentos que envolve o contexto da pesquisa do Instituto Paraná e seus efeitos correlatos.
DADOS SIMILARES
O principal ponto favorável a Gilvan Ferreira é que a semelhança numérica de Avaliação e Aprovação dos eleitores, conforme se observa, mantém inalterável um patamar positivo que não necessariamente seria preocupante caso oscile mesmo fora da margem de erro, para cima ou para baixo, do antecessor.
Há contextos locais e externos que podem interferir na avaliação dos leitores. Oscilações fazem parte do jogo interpretativo, portanto. Haveria sinais de preocupações se a diferença entre uma e outra pesquisa apontasse vendável numérico aparentemente fora do esquadro.
No caso específico de Gilvan Ferreira, coladíssimo na Avaliação e Aprovação de final de dois mandatos de Paulinho Serra, o que temos com clareza é que a classe média de Santo André, sempre avessa ou resistente a novidades politicas que de alguma forma não se identifiquem com o perfil socioeconômico do Bairro Jardim e assemelhados, costuma olhar com certo desdém para os estranhos.
Foi assim até mesmo com Celso Daniel, filho de classe média, morador de bairro de classe média, mas que fugia do padrão conservador como petista adepto da social-democracia, à direita do trabalhismo de Lula da Silva mas longe do conservadorismo do médico Newton Brandão, três vezes prefeito de Santo André.
MODELOS DIFERENTES
Gilvan Ferreira fez tudo de característica popular de zonas periféricas até ingressar nos quadros da Prefeitura de Santo André. Foi inclusive funcionário de um mercadinho na Vila Assumpção. Mas Gilvan Ferreira surpreende muito mais nos 15 meses de Administração do que os anos acumulados como secretário municipal da gestão de Paulinho Serra.
Aos poucos, com ações menos pirotécnicas que o antecessor, Gilvan Ferreira faz a classe média entender que é portador de um modelo de administração pública mais simétrico ao tecnicismo do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, do que o populismo convencional e eleitoralmente sagaz que Paulinho Serra incorporou como fonte de atuação,.
Parece, portanto, por conta disso, que Gilvan Ferreira teria conseguido com mais rapidez e agilidade conquistar a classe média que Celso Daniel só somou na terceira disputa de que participou. Em anos subsequentes a 1989 e 1996, eleito prefeito, esteve longe disso. Precisou ralar muito na segunda gestão, com ações transformadoras, para cair nos braços de um eleitorado que representa perto de 40% dos votos, soma de classe rica e classe média tradicional.
MUNDOS DIFERENTES
Mais uma vez uma pesquisa do Instituto Paraná comprova que o nível de exigências dos eleitores movimenta-se ao sabor da importância dos cargos que os chefes de Executivos exercem. E essa hierarquia decorre do nível de exposição decorrente de temáticas mais densamente colocadas no palco de debates, atritos, exageros e tudo o mais destes tempos de bendita polarização.
Bendita polarização no sentido de que estes tempos bravios são um efeito de transitoriedade da sociedade antes engabelada por supostos contendedores que no fundo não passavam de atores em defesa dos respectivos redutos eleitorais previamente combinados como sinônimo de protecionismo mútuo.
Por conta disso, é imensa as distância que separa tanto a Avaliação quanto a Aprovação de Gilvan Ferreira no eleitorado de Santo André em relação ao governador do Estado Tarcísio de Freitas e muito mais em confronto com o presidente Lula da Silva. Se os dois mais estrelados contassem com Avaliação e Aprovação popular de Gilvan Ferreira, já poderiam estar comemorando a reeleição. Com um pé nas costas.
Enquanto a população de Santo André aprova a gestão de Gilvan Ferreira com índice de 74,6% e a desaprova com 21,1%, resultado da Avaliação de 14,3,0% de Ótima e 44,7% de Boa, além de 25% de Regular, 5,4% de Ruim e 8,4% de Péssima, os dados de Tarcísio de Freitas são os seguintes: Aprovação de 62,3% e Desaprovação de 34,3%, com Avaliação de 11,4% de Ótima, 35,9% de Boa, 27,9% de Regular, 23,3% de Ruim e 14,0% de Péssima. E o presidente Lula da Silva? Aprovação de 48,7% ante Desaprovação de 48,6%, com Avaliação de 13,7% de Ótima, 21,4% de Boa, 24,9% de Regular, 38,3% de Ruim e 28,4% de Péssima.
ESTABILIDADE
O desempenho percepcional do prefeito Gilvan Ferreira junto ao eleitorado de Santo André é estável no período 16 meses pesquisado pelo Instituto Paraná. Foram três rodadas de entrevistas e os números movimentam-se praticamente na margem de erro. A Avaliação de Gilvan Ferreira em agosto de 2025 contou com 11,1% de Ótima, ante 48,9% de Boa, 28,6% de Ruim e 5,3% de Péssima. Em dezembro de 2025, os resultados foram, respetivamente, 11,1%, 47,4%, 25,6%, 6,4% e 7,0%. Já em abril último, Gilvan Ferreira colecionou 14,3% de Avaliação Ótima, 44,7% de Boa, 25,0% de Regular, 5,4% de Ruim e 8,4% de Péssima. Qualquer tentativa de encontrar mudança significativa no conjunto desses dados será pura especulação. A margem de erro de 3,8 pontos percentuais tornaria a operação um exagero.
Quanto ao critério de Aprovação, a reprodução da ideia de que não se deve procurar pelo de embromação em casca do ovo de dados segue o mesmo caminho. Praticamente não houve alteração significativa porque a margem de erro está no meio do caminho. A Aprovação de Gilvan Ferreira registrou 78,3% em agosto de 2025, caiu para 74,3% em dezembro e neste abril de 2026 chegou a 74,6%. A Reprovação era de 18,1% em agosto de 2025, passou para 21,7% em dezembro e registrou 21,1% em abril último.